Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos

O “Solo do Ano” é escolhido a partir de propostas de cidadãos, com o objetivo de divulgar a diversidade e importância dos solos portugueses. Em 2026, foram eleitos os Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos, solos férteis que ocorrem um pouco por todo o país.

Ao contrário do que um olhar menos atento possa julgar, os solos não são inertes e uniformes, mas sim sistemas vivos, dinâmicos, com grande diversidade. O clima, a rocha-mãe, o relevo, a vegetação, e a atividade biológica influenciam a sua formação ao longo do tempo e originam diferentes tipos de solos.

No Dia Mundial do Solo[1], a Sociedade Portuguesa das Ciências do Solo anuncia como Solo do Ano para 2026 os Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos[2]. Estes solos são evoluídos, apresentando três horizontes distintos (A, B e C). os Solos Mediterrâneos caracterizam-se por apresentarem um horizonte B é  mais rico em argila, geralmente devido ao transporte a partir do horizonte superficial (A) durante o período mais húmido do ano. Os Solos Mediterrânicos Vermelhos ou Amarelos distinguem-se de outros parentes próximos pelas cores avermelhadas ou amareladas nos horizontes A ou B, ou em ambos, devido à presença de óxidos de ferro, que indiciam tratarem-se de solos com boa drenagem e bom arejamento, uma característica positiva para a maioria das plantas e a quase totalidade das culturas agrícolas

São solos com um bom potencial produtivo e com uma ampla utilização agrícola, desde culturas perenes como pomares, vinha ou olival e também culturas anuais. O relevo suave onde ocorrem, a elevada capacidade de armazenamento de água (especialmente devida ao horizonte B rico em argila) e a retenção e disponibilização de nutrientes contribuem para a elevada aptidão agrícola. Contudo, o horizonte B pode também limitar o crescimento das raízes, dificultar a drenagem e aumentar o risco de compactação, sobretudo quando há mobilizações profundas e repetidas, que fazem parte do historial de uso de muitos destes solos, e que terão contribuído para a degradação estrutural de parte do horizonte B, comummente conhecida como “calo de lavoura”.

Assim, os Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos necessitam de uma gestão atenta em áreas cultivadas, de forma a manter as características que lhes conferem a sua produtividade. É essencial gerir as operações mecanizadas de forma a prevenir a compactação e a erosão.

Os Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos ocupam cerca de 25% do território nacional, predominantemente no Alentejo. No Algarve, são característicos no Barrocal. É de particular relevância a sua conservação, face às atuais pressões de uso e de gestão no contexto do crescimento da moderna fruticultura algarvia. Ocorrem também, mas em bastante menor extensão, na Beira Interior e em Trás-os-Montes e Alto-Douro, cobrindo cerca de 2% da área nestas regiões.

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[1] O Dia Mundial do Solo foi instituído a 5 de dezembro, por proposta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) desde 2013.

[2] Este conjunto de solos corresponde a uma Subordem dos “Solos Argiluviados Pouco Insaturados” da Classificação dos Solos de Portugal.

 

A Direção da SPCS agradece a contribuição de todos os que participaram neste processo de seleção do Solo do Ano 2026 enviando sugestões de solos a considerar.

Agradece também, muito em especial, aos colegas do Painel de Peritos que fizeram a seleção final do “Solo do Ano 2026” e que compilaram a quase totalidade da informação aqui apresentada sobre os Solos Mediterrâneos Vermelhos ou Amarelos:

Maria Manuela Abreu

Tomás de Figueiredo

Maria do Carmo Horta